CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 397
O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor.
Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial.


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Resumo Jurídico

Um Cidadão Cumprindo Seus Deveres: Entendendo o Artigo 397 do Código Civil

O artigo 397 do Código Civil brasileiro trata de um tema fundamental nas relações jurídicas: o cumprimento das obrigações no tempo acordado. De forma simplificada, ele estabelece quando uma pessoa está legalmente obrigada a cumprir o que prometeu e, principalmente, quando o descumprimento gera consequências jurídicas.

O Princípio da Exigibilidade da Obrigação

A regra geral, expressa no caput do artigo, é que uma obrigação só se torna exigível (ou seja, pode ser cobrada judicialmente) a partir do momento em que o devedor, voluntariamente, não a cumpre. No entanto, essa regra tem uma importante ressalva:

  • Obrigação com termo certo: Se a obrigação possuía um prazo definido para seu cumprimento (um "termo certo"), o simples vencimento desse prazo já configura o inadimplemento (o não cumprimento). Nesse caso, o devedor entra em mora automaticamente, sem a necessidade de qualquer aviso ou notificação formal.

Exemplo prático: Se você combinou de pagar um empréstimo em 15 de maio, e não o faz até essa data, no dia 16 de maio você já está em mora, sem que o credor precise te avisar.

Mora Automática: Quando o Tempo é o AVISO

A ideia por trás da "mora automática" em obrigações com termo certo é justamente a clareza e a previsibilidade. Quando as partes estabelecem um prazo, espera-se que ambas o respeitem. O vencimento do prazo funciona como um aviso prévio implícito.

Obrigações Sem Prazo Definido: A Necessidade de Notificação

O parágrafo único do artigo traz a outra situação: quando a obrigação não possui um termo certo estabelecido pelas partes. Nesses casos, para que o devedor seja considerado em mora, é necessária uma ação formal:

  • Interpelação: O credor precisa interpelar o devedor. Interpelar significa, em termos jurídicos, notificar formalmente o devedor de que a obrigação está vencida e deve ser cumprida. Essa notificação pode ocorrer de diversas formas, como por carta registrada, notificação judicial ou até mesmo através de um acordo extrajudicial formalizado.

Exemplo prático: Se você pegou emprestado um livro de um amigo e não combinou uma data para devolvê-lo, seu amigo precisará te avisar (te interpelar) que quer o livro de volta para que você possa ser considerado em mora caso não o devolva.

Por Que Isso é Importante?

Compreender o artigo 397 é crucial porque ele define o momento em que o devedor passa a estar em mora. Essa caracterização da mora é fundamental para:

  • Início da cobrança de juros e multas: Geralmente, a mora é o marco inicial para a incidência de juros de mora e multas contratuais.
  • Direito de buscar a execução judicial: O credor só poderá iniciar medidas judiciais para forçar o cumprimento da obrigação (ou buscar uma indenização) após o devedor estar em mora.
  • Poderes do credor: Em alguns casos, a mora pode dar ao credor o direito de rescindir o contrato ou tomar outras medidas previstas em lei.

Em suma, o artigo 397 do Código Civil estabelece um marco temporal claro para o cumprimento das obrigações, protegendo tanto o credor, que tem seu direito à cobrança garantido, quanto o devedor, que só é considerado inadimplente após o vencimento do prazo ou após ser formalmente notificado.